Muitas   vezes   uma  coisa  que    parecem      pequena   provoca  uma  grande  alegria.Aconteceu  comigo  hoje .Recebi  um  telefonema  internacional ,proveniente  da  cidade  de    LUANDA , capital  de  ANGOLA ,  de  um  angolano  nascido  na  antiga  colonia   portuguesa,criada  por    VASCO  DA  GAMA,     de  GOA ,NAS  COSTAS  INDIANAS .Ele   se  chama     LUIS  FELIPE  COLAÇO.

Poucas   pessoas   no  mundo ,foram  tão  irmão  e  solidário  comigo  como  foi  COLAÇO   durante  meus  10  anos  e  meio  de  exílio político.  Os  episódios  que  entrelaçaram  nossa  vidas,  seria  roteiro  para  um  romance,  se  eu  conseguisse   ser  um  escritor .como  nosso  amigo  comum  PEPETELA, ESCRITOR  ANGOLANO , também  de  origem  indiana;

PASSAPORTE  NO  NOME  DE  LUIS  FELIPE  COLAÇO .

Quando   vivia  na  ARGÉLIA ,a  ditadura  brasileira  se  negou  a  fornecer  qualquer  documento  e  no  exterior  se  você  não   tem  um  passaporte  ,fica  preso  nas  fronteira  do  a país  aonde  vive. Não  tem  como  viajar  para  nenhum  outro    PAÍS ,Para  não  ser  esmagado  pela  ditadura  brasileira,eu  viajava  com  um  passaporte  diplomático  brasileira, fornecido  pela  Câmara  dos  Deputados   aos parlamentares .

Por  falta   de  experiencia ,usei  dois  espaços  de  renovação e  renovei  com  carimbos  falsos  por  anenas  1  ano  toda  vez.  Dois  anos  passam rápido  e  então  escrevi em  uma  folha  aonde  estava  escrito  anotações . O   presente  passaporte  fica  renovado  por  1o  anos  e  passa  a  ser  válido para  todos  os  países  do  mundo    e  não  apenas  para  os  países  com  os  quais    BRASIL  mantém  relações  diplomáticas .

Passei     a  viajar  tranquilamente  para  onde  queria .Verifiquei  que  a  ditadura  brasileira ,  incomodada com  a  zoada  que  brasileiros exilados ,  começaram  a  fazer ,  sobretudo  na    EUROPA ,  centenas  de  agentes  do    SNI.  disfarçados e  diplomatas  ,passaram  a  monitorar os  passos  de  exilados.Ficou  perigoso  continuar  viajando com  passaporte  diplomático  brasileiro .

Nos  anos   60  ,os  passaportes  diferentes  de  hoje  ,não  tinham um  plástico  colado  na  página  com  a  fotografia,  tornando  impossível   substituí-la . A   fotografia  era  simplesmente  colada, carimbada  inicialmente  com  carimbo  de  tinta  e só muitos  anos  depois  com  carimbo  de  relevo  chamado linha  d água .  Todos  esses  carimbos  eram  facil  serem     falsificados  e  uma  chaleira  fervente  deixa escapar  um  vapor  quente  na  fotografia  solta  a  cola  sem  danificar  a folha .

O  único  problema   é  o  portador  ter  que  viajar  com  o  nome  escrito  no  passaporte , que  não  pode  ser  substituido  sem  danifica-lo.

Em  ALGER  minha  casa  era  frequentada  por  angolanos  ,  a  maioria  pretos  mas  muitos  mestiços ou  de  origem  indianna  como   COLAÇO ,que  tinha  uma  preciosidade, um  passaporte  português  legítimo . Conversando  com  COLAÇÕ disse  que  para  mim  era  fundamental  ter  um  passaporte português  mesmo  com  outro  nome e  eu  me  encarregava de  substituir  a  foto .Imediatamente.  COLAÇO    respondeu,vamos  resolver  o  problema  amanhã.Com  a  queda  do salalazarismo ,PORTUGAL   abriu um  consulado  em   ARGEL .COLAÇO  propôs : amanhã  vou  ao  comissariado  de  ´polícia   declarar  que  meu  passaporte  foi  roubado   e  vou  ao  consulado  pedir  um  novo .Logo  que  receba  o  novo , eu  lhe  dou  o  meu, você  bota  sua  foto  e  fica  viajando  com meu  nome.

Com  o  papel  da  policia  constatando  o  roubo do  passaporte,fui com    COLAÇO  AO  CONSULADO  PORTUGUÊS  PARA  ELE  SOLICITAR  O  NOVO  .Foram  os  minutos  mais  intermináveis   que   passei  esperando    COLAÇO,  que  saiu  sorridente  com  o  passaporte  novo  nas  mãos  e  logo  depois  me  deu o velho , que  manipulei  e  viagei  por  mais  de  5 anos  com  o  nome  de    COLAÇO ;

Amanhã  eu  conto  as  minhas  aventuras  com  COLAÇO   e  carteiras  de  motoristas  brasileiras  e  meu  mal  estar  quase  mortal, intoxicado  por  um  hamburguer  em  a   LONDRES   e  quase  morrendo  com  o  nome  de    COLAÇO .

Certamente  ainda  hoje ,  COLAÇO   vai  ler  essa  matéria  em    LUANDA    e  peço  a  ele  para  me  mandar  email  com  número  de  tel  e  site na    INTERNET ;

São  raras  as  pessoas  no  mundo  que  empresta  seu   nome  e  documentos  para  outra pessoa  usar  como  quiser . COLAÇO  FOI  O   IRMÃO  NA  SOLIDARIEDADE.

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