Um dos textos melhores que lí ultimamente, foi a crônica de Arnaldo JABOR , intitulada EM BUSCA DO TEMPO PERDIDO . Em cada paragrafo revi minha infancia , a carinhosa presença de minha mãe ,as tardes em que ela recebia as amigas e as conversas dessas modestas mulheres casadas , religiosas , submissas aos maridos vivendo um pequenino mundo . É PRECISO REALÇAR QUE NESSA ÉPOCA NÃO HAVIA TV e muito menos internet.Essas senhoras só tinham distração ouvindo pesados rádios de válvula e olho mágico , no qual sintonizavam com bastante chiado a novela DIREITO DE NASCER , com protagonistas como ALBERTINHO LIMONTA E MAMÃE DOLORES . AS noticias eram dadas pelo reporter ESSO .O fogão era de tjolo e queimava carvão . Água quente só esquentando a chaleira.POUQUISSÍMAS CASAS TINHAM REFRIGERADOR , IDENTIFICADO PELA MARCA FRIGIDAIRE . Os bebes não tinham fraldas descartáveis nem as mulheres dispunham de modess ou tampax .Praticamente todas as casas tinham quintal , aonde eram estendidas as roupas lavadas , as fraldas do bêbê e os panos higiênicos usados pelas mulheres , durante a menstruação .NÃO HAVIA PAPEL HIGIÊNICO , SUBSTITUIDO POR PEDAÇOS DE JORNAIS E POUCAS CASAS TINHAM TORNEIRAS COM AGUA CORRENTE , QUE NÃO EXISTIA NA QUASE TOTALIDADE DOS LARES BRASILEIROS . Não havendo supermercados , as compras eram feitas nas bodegas , sempre no fiado e tudo escrito em uma cardeneta que no fim do mes , quem tinha alguma renda mensal , pagava a totalidade da conta ou parte dela .Inexistindo inflação , o bodequeiro poderia vender arroz e açucar, para receber dois meses depois porque a reposição no grossista era pelo mesmo preço anterior .As roupas eram marcadas pelas nódoas de um caroço de abacate , com o tecido envolvendo e uma agulha fazendo furos para fazer sair o oleo que deixava a marca indelevel . Não havia nenhuma roupa pronta para comprar . Camisas , calças ,calcinhas , vestidos , tudo dependia de alfaiates e costureiras e a revista VIDA DOMÉSTICA , FORNECIA OS MODELOS DOS VESTIDOS DE FESTA DAS DONAS DE CASA .Esse era o BRASIL DOS ANOS 50 , Precisei desenhar esse contexto , porque a crônica de Arnaldo Jabor descreve fatos de vida dessa época .
A CRÔNICA DE JABOR
Naquela época , o tempo era lento , as ruas silenciosas , as tardes vazias e as mulheres casadas se visitavam em busca de alguma verdade que explicasse suas vidas mas nessas reuniões ficavam tensas e grandes verdades morriam mudas . Dentro dessas casas , os filhos se criavam , as empregadas cozinhavam e lavavam e os maridos chegavam .O telefone , quando existia eram pesados e negros e rodando um veio se chamava a telefonista para chamar outro telefone no mesmo quarteirão . Essas mulheres se sentiam vazias de alguma coisa que ignoravam , barradas em um baile que sonhavam existir em algum lugar , talvez em algum filme americano que tinham visto há muitos anos , com galãs tão bonitos e alegres , tão diferentes dos maridos deprimidos que pouco ficavam em casa e só voltavam a noite . Quando não voltavam da zona de meretrício forçavam um sexo , quase estupro , esperando que nascesse um filho .
A HIPOCRISIA
Todas buscavam ostentar uma felicidade tranquila que não revelavam quando estavam sozinhas e se atendiam um telefonema de cunhada ou sogra se desdobravam em elogios , que cediam lugar a um rosto rancoroso , quando desligavam .JABOR lembrava que quando entrava na sala , sua mãe advertia as amigas : AGORA FALEM POR ALTO . E as amigas diziam , FULANA , aquela , aquela , que diz o marido estar viajando mas sabemos que trocou ela por uma da vida .
ESSE BRASIL QUE TENTEI RETRATAR E NO QUAL JABOR SITUA SUA CRÔNICA SÓ DEIXOU DE EXISTIR DEPOIS DO GOVERNO JUSCELINO ,QUE APROVEITANDO DAS GRANDES OBRAS FEITAS POR GETÚLIO VARGAS , PETROBRÁS , COMPANHIA SIDERÚRGICA ,EXPLORAÇÃO MINERAL BANCOU O SLOGAN 50 ANOS EM CINCO ,CONSTRUINDO BRASÍLIA , RASGANDO ESTRADAS , INTERIORIZANDO O BRASIL LITORÂNEO E SOBRETUDO SUBSTITUINDO IMPORTAÇÕES E ESTIMULANDO UMA INDUSTRIA NACIONAL . O BRASIL IMPORTAVA BOTÃO , AGULHA , LINHA ,PALITO DE DENTE . TODO O CONSUMO DA POPULAÇÃO URBANA ERA IMPORTADO .QUEM MELHOR DEFINIU JUSCELINO FOI UM MATUTO QUE ME DISSE : A PRIMEIRA VEZ QUE VI UMA CEDULA DE L CONTO DE REIS FOI NO GOVERNO JUSCELINO .l conto de reis era a desejada cédula amarelada de mil cruzeiros . VIVI ESSE MUNDO NA CIDADE DE LIMOEIRO , NO NORDESTE E JABOR VIVEU O DELE NO SUDESTE LITORÂNEO . MAS AS SEMELHANÇAS SÃO MUITAS .











