Ascendência europeia ajuda a proteção contra o inverno.
Camada de gordura também protege contra perda de temperatura.

A forte massa de ar frio e seco que atinge boa parte do país tem feito as temperaturas caírem abaixo de 10 graus em muitas cidades do Sul e Sudeste (nas serras gaúcha e catarinense, abaixo de 0 grau). Para algumas pessoas, o frio é uma delícia. Para outras, um tormento. E segundo o médico Paulo Olzon isso é perfeitamente normal. Algumas pessoas têm, sim, mais frio que outras. Principalmente aquelas que são morenas, magras e de mais idade.

Pessoas de ascendência asiática ou europeia, especialmente de países nórdicos, têm uma proteção genética natural contra o frio. Isso independe de o indivíduo já ter um dia pisado no Hemisfério Norte, explica Olzon, que é clínico geral da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ou seja, um descendente de dinamarqueses aguenta mais o frio, mesmo se for nascido e criado a vida inteira em Maceió.

“É uma proteção genética. A pessoa de origem caucasiana, europeia, tem uma adaptação fisiológica maior ao frio e menor ao calor”, explica ele . “Elas ageentam bem temperaturas baixas, mas sofrem demais durante fortes verões”.

Além disso, quanto mais velho ou mais novo você for, mais sensível será ao frio. “A mesma pessoa tem diferentes respostas ao frio e ao calor ao longo da vida”, diz Olzon.

“As crianças têm uma superfície corporal muito grande em comparação com o peso, o que as torna mais sensíveis à perda de temperatura”, afirma. “Do outro lado, conforme você envelhece, vai perdendo a capacidade da pele de gerar proteção ao frio”, diz ele.

Morrer de frio
Para funcionar adequadamente, o corpo precisa manter uma temperatura constante, por volta de 36 graus. Abaixo disso, pode ocorrer letargia, dificuldade de circulação do sangue e até a morte. “É perfeitamente possível morrer de frio”, diz o médico.

Para ajudar a manter a temperatura constante, é preciso “prender” o calor do nosso corpo, não deixar ele ser perdido para o ambiente. É por isso que usamos casacos e cobertores.

“O cobertor não é quente. Ele é naturalmente frio. Ele fica quente pelo calor do nosso corpo, porque não deixa esse calor sair”, explica.

É por isso também que pessoas muito magras sofrem mais com o frio. “A gordura prende o calor dentro do organismo. Quem é magro tem mais dificuldade em manter os órgãos vitais aquecidos”, afirma. “Da mesma maneira, no verão, quem é mais gordinho sofre mais, porque não consegue perder calor”, explica.

Para suportar melhor o frio, o médico recomenda, além do cobertor e das roupas quentes, evitar a exposição ao vento. “Frio sem vento é muito mais suportável que frio com vento”, diz ele.

O médico também alerta: beber álcool para “se esquentar” não apenas não funciona, como é um risco. “Você acha que está aquecido, mas não está. Continua exposto aos efeitos do frio do mesmo jeito”, explica.

O “morrer de frio” no Brasil é raro, segundo ele, mas acontece — principalmente com moradores de rua. Os sintomas incluem confusão mental, tonturas e podem incluir até delírios. É preciso usar cobertores para recuperar a temperatura corporal lentamente. Se necessário, deve-se procurar um hospital.

Do G1, em São Paulo

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