A variante da bactéria nunca antes vista é mais agressiva porque permanece mais tempo do que o habitual no intestino
O surto de infecções por Escherichia coli na Europa é causado por uma nova cepa da bactéria. Cientistas alemães, em coordenação com colegas chineses, conseguiram decifrar o genoma do organismo. Até agora, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 15 pessoas morreram na Alemanha e uma na Suécia em decorrência de complicações provocadas pela contaminação pela bactéria.

As conclusões foram divulgadas nesta quinta-feira (2) pela Clínica Universitária de Eppendorf de Hamburgo, a cidade onde foi disparado o alarme sanitário. Inicialmente, pepinos espanhóis foram apontados como o foco da infecção. O produto chegou a ser retirado do mercado, mas a medida foi revogada após ser descartado que esses vegetais estavam vinculados com a transmissão da doença.

O variante letal de E. coli é uma combinação entre um “parente muito distante” do variante mais comum da bactéria com outras cepas conhecidas. Por isso, trata-se de um cruzamento, não de uma mutação da chamada O104:H4.

No genoma foram identificados agentes classificados pelo bacteriologista Holger Rohde, da Clínica Universitária de Eppendorf, como “clássicos” entre esses dois conhecidos serotipos da bactéria. A combinação dos elementos resulta em uma variante muito agressiva, que permanece mais tempo do que o habitual no intestino e provoca, portanto, danos de efeitos mais persistentes, podendo levar à morte.

Segundo a mesma equipe de cientistas, a identificação do genoma não significa que possa ser possível conseguir imediatamente uma solução para o surto, já que a interpretação dos dados pode levar semanas.

A OMS informou nesta quinta-feira (2) que foram registrados 1.614 casos de infecção pela bactéria em dez países da Europa. Além da Alemanha e da Suécia, onde houve vítimas fatais, foram notificadas às autoridades sanitárias a contaminação de pessoas na Áustria, na Dinamarca, na França, na Holanda, na Noruega, na Espanha, na Suíça e no Reino Unido. Em todos os casos, com exceção de dois, os pacientes visitaram o norte da Alemanha ou tiveram contato com alguém que foi à região.

O Instituto Federal de Análise de Riscos em Berlim informou nesta quinta-feira (2) que nenhum dos pepinos analisados (que no princípio foram apontados como a origem da doença) deu positivo para a variante fatal do E. coli. “Nenhum dos quatro testes deu positivo para a variante O104:H4 do agente patogênico que foi isolado pelas análises dos sedimentos dos pacientes”, disse a porta-voz.

A fonte das infecções continua uma incógnita e os especialistas tentam esclarecer em que ponto da cadeia alimentar ocorreu a contaminação. Enquanto continuam as investigações para saber a origem do foco da infecção, os analistas aconselham à população não consumir pepinos, tomates alfaces, independentemente de sua origem, o que está causando prejuízos milionários ao setor.

REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA EFE
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