Editoria de Arte/Folhapress

Mais um tesouro da pré-história brasileira pode acabar no exterior. Pior ainda: seu destino pode ser uma coleção de fósseis particular sem acesso aos cientistas.

No site americano PaleoDirect, especializado na venda de fósseis, é assim: quem tiver o dinheiro, leva.

Peças saídas do Brasil não são novidade por lá. Mas, atualmente, um raro e inédito fóssil do país está à venda.

Quem tiver R$ 25,6 mil pode se tornar proprietário da superconservada asa de uma espécie de pterossauro que ainda não foi descrita.

“Não é a primeira vez que esse site faz isso. Eles dizem que os fósseis saíram legalmente do país, mas não é verdade”, diz Felipe Monteiro, da Universidade Federal do Ceará. Ele é pesquisador na Chapada do Araripe (CE), região de origem do fóssil.

Folha pediu ao PaleoDirect para ter acesso ao certificado de autenticidade que consta no anúncio do fóssil, mas não obteve resposta.

Segundo o site, o fóssil é “de uma coleção europeia com mais de 70 anos”. Ou seja, é anterior à promulgação da lei de 1942 que exige autorização do governo para que qualquer fóssil com interesse científico saia do Brasil.

Segundo especialistas, dizer que as coleções são anteriores à lei é a principal desculpa para dar “aparência de legalidade” ao contrabando.

Ao contrário do Brasil, nos EUA o comércio de fósseis, incluindo para o exterior, é autorizado. Por isso, sites como o PaleoDirect podem operar.

A Chapada do Araripe, onde o fóssil foi achado, é um complexo paleontológico reconhecido pela Unesco.

O mesmo site já protagonizou outra polêmica com fósseis brasileiros. Em 2008, a Folhanoticiou a venda de um crânio intacto de um réptil voador por US$ 700 mil.

 

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