Simon Akam/Reuters

Simon Akam/Reuters Países pobres têm pouco ou nenhum acesso a vacinas

Milhões de vidas de crianças e bilhões de dólares poderiam ser poupados se houvesse maior disponibilidade de vacinas em 72 dos países mais pobres do mundo, revelou uma série de estudos divulgados na quinta-feira.

Em estudos publicados nos periódicos Health Affairs The Lancet, cientistas e especialistas em saúde pública projetaram que, se 90% das crianças nesses países fossem imunizadas, seria possível poupar mais de US$ 151 bilhões em dez anos em tratamentos médicos e produtividade perdida que seriam evitados, rendendo benefícios econômicos de US$ 231 bilhões.

E cerca de 6,4 milhões de vidas poderiam ser salvas, segundo os estudos.

Mas um estudo feito pela Aliança Global para Vacinas e Imunização (Gavi) e o Instituto de Resultados para o Desenvolvimento concluiu que os países pobres têm dificuldades em pagar por programas de vacinação sem a ajuda de doadores externos.

A vacinação é vista por muitos como uma das melhores opções para a saúde pública em países em desenvolvimento, porque pode proteger vidas produtivas e reduzir os custos de tratamentos e atendimento médico.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a erradicação da varíola, ao custo único de cerca de US$ 100 milhões, poupou ao mundo cerca de US$ 1,35 bilhão por ano desde que foi realizada, em 1979.

“A ideia é simples: vacinas salvam vidas, previnem sofrimento e geram riqueza”, escreveu no The Lancet o professor de pediatria Richard Moxon, da Universidade Oxford.

A vacinação infantil contra doenças como pneumonia pneumocócica, Haemophilus influenza tipo B, ou doença Hib, difteria, coqueluche, tétano, sarampo e rotavírus é feita rotineiramente nos países mais ricos, mas muitos países pobres têm pouco ou nenhum acesso a essas vacinas.

A Gavi, que financia programas de aquisição de vacinas ao atacado para países que não têm como arcar com os preços ocidentais, vai promover em Londres na próxima semana uma conferência de doadores, com o intuito de fechar um buraco de US$ 3,7 bilhões de financiamento em seus compromissos até 2015.

Várias empresas farmacêuticas grandes, incluindo GlaxoSmithKline, Merck, Crucell, da Johnson & Johnson’s, e Sanofi Pasteur, da Sanofi-Aventis, se ofereceram esta semana a reduzir os preços de algumas de suas vacinas para os países em desenvolvimento, para tentar manter a oferta de vacinas por meio da Gavi.

E o governo britânico lançou um plano de donativos de 50 milhões de libras (US$ 82 milhões) para reforçar os recursos da Gavi.

“Sem a ajuda importante de doadores internacionais, os países mais pobres terão dificuldade em arcar com os custos para levar vacinas que salvam vidas a todas suas crianças”, disse Helen Saxenian, do Instituto de Resultados para o Desenvolvimento, em Washington.

A série da Health Affairs foi financiada pela Fundação Bill & Melinda Gates, um fundo de US$ 34 bilhões dedicado principalmente a projetos de saúde em países pobres. Gates também é um financiador importante da Gavi.

A Gavi diz que já preveniu mais de 5 milhões de mortes de crianças nos últimos dez anos e que vai prevenir outras 4 milhões até 2015, com os recursos necessários, através de programas de imunização que chegam a mais de 240 milhões de crianças.

Em seu artigo no The Lancet, Moxon e seus colegas argumentaram que, à medida que os países em desenvolvimento começam a ter condições para isso, eles devem contribuir mais para a saúde de suas populações, incluindo a imunização.

“A maioria dos países em desenvolvimento não prioriza a saúde suficientemente em seus orçamentos. Eles precisam ser persuadidos a assumir uma parte maior do ônus”, escreveram os cientistas.

KATE KELLAND – REUTERS

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