1 de maio é considerado, pela OMS, Dia Mundial Sem Tabaco. É a data em que a organização promove uma campanha global de combate ao vício, que deverá matar, este ano, 6 milhões de pessoas – 10% das quais sequer fumam
REDAÇÃO ÉPOCA, COM AGÊNCIA BRASIL

A cada seis segundos, uma pessoa deverá morrer vítima do tabaco neste ano. São cerca de 5 milhões de vítimas fatais do cigarro por ano no mundo – 200 mil delas só no Brasil. Para 2011, são estimadas 6 milhões de mortes, 10% delas não são nem fumantes, mas convivem com pessoas que fumam. Para combater o hábito e conscientizar as pessoas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) institui, desde 1987, o 31 de maio como Dia Mundial Sem Tabaco.

A estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) é de que, até 2030, o número de mortos pelo fumo pode chegar a 8 milhões de pessoas. O vício contribui para a epidemia de doenças não contagiosas, como ataques cardíacos, derrames, câncer e efisema, segundo a OMS. 63% de todas as mortes no mundo é atribuída ao grupo, e metade de todos os fumantes devem morrer em razão de uma doença relacionada ao hábito.

A pneumologista Maria Vera Cruz de Oliveira Castellano, coordenadora do Ambulatório de Tabagismo do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, explica o motivo da dependência: “O cigarro tem nicotina. Essa substância estimula a produção de dopamina e serotonina, que dão sensação de prazer e deixam a pessoa em alerta, ou seja, sensações agradáveis. Mas, depois de uma hora, o corpo sente a falta da nicotina, o que leva o indivíduo a querer fumar mais”.

Parar de fumar é o principal obstáculo enfrentado pelos dependentes da nicotina. Apenas 3% a 5% dos fumantes conseguem parar espontaneamente; os demais precisam de apoio. E, segundo a OMS, além de prejudicarem a si, os fumantes também afetam a saúde daqueles que os rodeiam, uma vez que os chamados fumantes passivos também estão sujeitos a desenvolver doenças como câncer de pulmão, de bexiga, de laringe, enfisema e infarto do miocárdio.

A preocupação dos governos com a saúde dos fumantes e dos não fumantes tem levado políticos a adotarem, em todo o mundo, legislações cada vez mais restritas. A luta contra o vício da nicotina já fez, no Brasil, Estados como o de São Paulo adotarem as chamadas “leis atinfumo”, que proíbem a prática em qualquer ambiente fechado, mesmo que embaixo apenas de um toldo.

Entre os países que são destaques no combate ao fumo, está o Uruguai, onde os alertas sobre o risco provocado pelo cigarro ocupam 80% das embalagens. A China, Turquia e Irlanda também receberam elogios por leis que proíbem o fumo em locais públicos.

Vera Lúcia Vieira Machado, assistente administrativa, 58 anos, começou a fumar muito nova e manteve o hábito durante 35 anos. Queria parar para preservar a saúde. Com a mudança, diz que melhorou a qualidade de vida, o sono e o paladar. Ela deixou de tossir e sentir falta de ar ao caminhar. “A primeira vez que deixei de fumar foi com uma palestra que assisti no posto de saúde. Parei durante um ano e voltei. A segunda vez foi com minha força de vontade mesmo, e já não fumo há três anos”, diz Vera Lúcia Machado, que acredita que fumava por ansiedade.
Menos da metade dos países que aderiram à Convenção de Controle do Tabaco (2003) e que enviaram relatórios à OMS registraram progresso no combate ao fumo. Apenas 35 de um total de 65, por exemplo, registraram aumento nos investimentos para pesquisas no setor.

José Marcos de Melo Pimentel, 58 anos, autônomo, fumou durante 25 anos e resolveu parar por seu filho, que toda noite, antes de dormir, pedia que deixasse o vício. Para ele, a decisão de parar era difícil, mas não impossível e foi um desafio. Atualmente, 11 anos depois de parar de fumar, José Marcos diz que tudo em sua vida melhorou. “Tudo mudou depois que parei de fumar, principalmente a disposição, o apetite, a pele e o sabor dos alimentos que está mais apurado”.

Outro exemplo de força de vontade é Julianna Motter, 19 anos, estudante de letras da Universidade de Brasília (UnB). Ela começou a fumar aos 14 anos e decidiu parar por causa da saúde, mas principalmente pela namorada. Há dois meses sem fumar, Julianna conta que o o fôlego e a disposição foram os primeiros benefícios. Acrescenta, porém, que não tem sido fácil. “Eu me tornei uma pessoa mais irritável, em constante TPM [tensão pré-menstrual}. E,quando quase perdi a pessoa que amo, foi ainda mais difícil não me render à nicotina”, disse.
O Brasil foi um dos países que conseguiu reduzir seu percentual de fumantes. Entre 2006 e 2010, segundo dados do Ministério da Saúde, a taxa caiu de 26,2% para 15,1%. Entre os homens, a queda foi maior – o hábito de fumar passou de 20,2% para 17,9%. Entre as mulheres, o índice permaneceu estável em 12,7%. Pessoas com menor escolaridade – até oito anos de estudo – fumam mais (18,6%) que as pessoas mais escolarizadas – 12 anos ou mais (10,2%).

Na página do facebook de ÉPOCA, convidamos o leitor a responder nossa enquete sobre qual é a melhor atitude para abandonar o fumo. Confira.

LH

Revista Época

 

 

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