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O repórter Antonio Gois revela na Folha de hoje que todo mundo fala errado. A partir do 1500 horas de entrevista com brasileiros de todas as classes sociais, descobre-se que apenas 5% das pessoas com boa escolarização falam português de acordo com as regras cultas, padrão que cái para 1% entre aqueles com formação deficiente.

No melhor dos casos, 95% dos brasileiros comete erros de fala.

Antes que você comece a maldizer a má formação de nossos professores, queria observar que essa pesquisa ajuda a colocar realismo no debate provocado pela publicação de um livro que defende que as pessoas falem, ainda que empreguem regras gramaticais imperfeitas.

Todo mundo sabe a polêmica criada em torno disso. Queria fazer algumas colocações.

A cultura é um terreno muito fertil para o aprendizado, para o enriquecimento intelectual das pessoas — e também para o preconceito.

Isso porque cultura não é um bem que você pode comprar no shoppping center e exibir por aí, como uma gravata ou uma raquete de tenis, mas envolve sua origem, que é uma coisa que ninguém pode mudar na vida. Falar corretamente é uma demonstração de cultura e isso é um valor considerado importante em nossa sociedade.

Em geral, pessoas cultas já nascem em famílias cultas e tiveram pais que mantinham uma pequena biblioteca dentro de casa. Nós falamos a lingua que nossa mãe nos ensinou. Se ela não falava de acordo regras cultas, teremos muito mais dificuldade para nos corrigir, mais tarde. Seu modo de falar não mostra apenas quem você. Mas também de onde você vem.

Todo brasileiro que já saiu do país viveu uma experiencia interessante com a lingua local. A maioria comete erros de concordancia e de pronuncia, embora sejam capazes de dizer aquilo que desejam. Quem já passou por essa situação sabe como é desagradável encontrar interlocutores com o costume de interromper um diálogo para corrigir erros a todo momento.

O que é isso? Pedantismo e demonstração mesquinha de poder. Lembrar que determinada pessoa não tem “cultura” é diminuí-la. O domínio da linguagem tem relação direta com isso. Tanto que, no passado, quem não sabia ler nem escrever não podia votar, ou seja, estava destituído do mais elementar direito político numa democracia.

Alguns erros de português doem nos meus ouvidos. Outros não, porque estou habituado a eles.

É claro que é melhor falar corretamente, até porque um bom domínio da linguagem auxilia na evolução do pensamento e dos entendimento do mundo a nossa volta.

Mas milhões de pessoas não aprenderam a lingua no tempo certo. Não aceitar sua fala com falhas é uma forma de censura às vozes que, em geral, vem dos porões da sociedade. As pessoas falam com podem e não devem ser silenciadas. Mesmo porque, vamos combinar: a capacidade de dizer bobagens tem pouca relação com a cultura gramatical da maioria das pessoas, não é mesmo?

ÉPOCA

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