Parte de bairro da cidade não tinha energia até um ano atrás.
Primeira lan house do município da Ilha do Marajó foi criada em 2005.

Laura BrentanoDo G1, em Afuá (PA)

Vilber criou sua lan house em Afuá há dois anos (Foto: Laura Brentano/G1)
Vilber criou sua lan house em Afuá (PA) há dois anos (Foto: Laura Brentano/G1)

Do outro lado de Afuá, cidade paraense da Ilha do Marajó, em um bairro chamado Capim Marinho, uma outra realidade de internet é encontrada. Enquanto a primeira lan house da cidade, situada no centro, conta com ar-condicionado e sistema de câmeras de segurança, o estabelecimento de Vilber Oliveira não tem nem água encanada.

Na série lig@dos, o G1 vai mostrar como pessoas de diferentes locais se relacionam com a tecnologia. Na primeira etapa, mostraremos três cidades em diferentes estados da região Norte do país. Mande suas perguntas na área de comentários ao final da reportagem.

Afuá - mapa lig@dos (Foto: Editoria de Arte/G1)

 

Irmão de Leonardo Bararuá, dono da primeira lan house, Vilber montou a sua estrutura com cinco computadores há mais de dois anos. Na época, a rua onde está a lan house não tinha nem luz. “Tive que colocar um poste e puxar a energia de uma igreja próxima”. Segundo Vilber, a rua só foi ter energia há cerca de um ano.

Ele atribui o movimento fraco, de no máximo 20 clientes frequentes, à estrutura do bairro, onde moram pessoas mais humildes, vindas das regiões rurais de Afuá. Hoje, o bairro é maior que o centro da cidade, e cresceu muito nos últimos anos. “As pessoas aqui não têm o hábito de acessar a internet”, explica.

Lan house cobra R$ 1,50 para acessar a internet por uma hora (Foto: Laura Brentano/G1)
Lan house cobra R$ 1,50 para acessar a internet por uma hora (Foto: Laura Brentano/G1)

Vilber cobra R$ 1,50 por hora na lan house, o mesmo valor da loja do seu irmão. “Já tentei baixar o preço, mas não funcionou. No início, o estabelecimento do Leonardo era assim também. Acredito que vai melhorar”, disse.

Um cano passa em frente à lan house. No entanto, segundo Vilber, ele está sem água encanada há mais de um ano. “Preciso comprar água em baldes. Mas apenas algumas regiões do bairro estão sofrendo com isso. É uma parte esquecida”, explica.

Segundo a prefeitura de Afuá, pessoas das regiões ribeirinhas estão invadindo parte do bairro Capim Marinho, onde tem apenas mato. Como as invasões são recentes, o governo ainda não conseguiu levar água e luz para eles. Até mesmo as palafitas ainda estão sendo montadas para facilitar o movimento das famílias na região.

Palafita que liga o centro de Afuá (PA) ao bairro Capim Marinho (Foto: Laura Brentano/G1)
Palafita que liga o centro de Afuá (PA) ao bairro Capim Marinho (Foto: Laura Brentano/G1)

 

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