O alto risco de desenvolver trombose atinge 41,4% dos brasileiros. O dado é de uma pesquisa que ouviu mais de mil pessoas em todo o país para avaliar o grau de conhecimento da população sobre trombose e embolia pulmonar, doenças associadas.

Pessoas com alto risco têm grande probabilidade de desenvolver o problema caso sejam hospitalizadas. Isso porque imobilização e infecções, além de cirurgias, são situações propícias para a coagulação do sangue dentro das veias.

“Se forem internadas por uma pneumonia ou um problema cardíaco, por exemplo, essas pessoas precisam de medidas de profilaxia”, diz Ana Thereza Rocha, professora colaboradora do Serviço de Pneumologia do Hospital Universitário Professor Edgard Santos, da Universidade Federal da Bahia.

PREVENÇÃO

A prevenção inclui de drogas até  uso de meias elásticas e prática de caminhadas.

A pesquisa, divulgada ontem, foi encomendada por sociedades brasileiras de angiologia e cirurgia vascular e de pneumologia e tisiologia e laboratório Sanofi-Aventis.

O risco de trombose foi avaliado por meio de um questionário específico que mediu fatores como idade, peso e histórico de doenças.

Outro problema apontado pelo relatório é que essas pessoas praticam menos atividade física, têm mais excesso de peso e fumam mais -conhecidos agravantes do problema.

Além disso, mais da metade dos brasileiros não conhece sintomas ou consequências da trombose. Na média geral, 43% já ouviram falar da doença, mas não sabem citar medidas de prevenção.

Sobre embolia pulmonar, a complicação mais preocupante da trombose, o grau de desconhecimento é ainda maior: quase 80% não sabem o que significa ou nunca ouviram falar no assunto.

“O resultado não surpreende porque mesmo entre os médicos não é feita uma avaliação de risco de forma rotineira nos pacientes hospitalizados”, diz Rocha.

Em geral, apenas 40% a 50% dos pacientes internados, em média, são avaliados. Essa taxa só costuma aumentar com a implantação de protocolos específicos.

Desde 2007 o Brasil vem adotando estratégias para reduzir a incidência da trombose nos hospitais.

O programa zona livre de tromboembolismo venoso, presente em vários países e em 124 instituições brasileiras, usa educação continuada e palestras para ajudar os profissionais da saúde a identificar pacientes de risco e adotar procedimentos para prevenir o problema.

No Hospital São Camilo, a profilaxia nessas pessoas subiu de 54,3% em 2007 para 88% no ano passado.

“São medidas de fácil implantação”, diz João Gonçalves Pantoja, superintendente médico da Rede D’Or.

No Hospital Barra D’Or, no Rio de Janeiro, o programa foi implantado em 2008 e já conta com quase 100% de adesão às recomendações.

EXERCÍCIO NÃO  É LIGADO À PREVENÇÃO

Entrevistados no estudo acham que exercícios são apenas um meio para ter um corpo bonito: 36% fazem ginástica só por motivos estéticos. Só 7% praticam para prevenir doenças. Menos da metade dos que têm alto risco de trombose se exercita -e míseros 2% querem ativar a circulação com a malhação.

Folha Online

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