Dois terços das fraturas na coluna vertebral decorrentes da osteoporose não são diagnosticados e acabam não tendo tratamento adequado.

O alerta foi feito pela IOF (Fundação Internacional da Osteoporose, na sigla em inglês) ontem, dia mundial de combate à doença.

Segundo estimativa da organização, a cada 22 segundos ocorre uma fratura vertebral no mundo, a maior parte em função da osteoporose.

Muitas dessas fraturas são confundidas com dores nas costas, daí o subdiagnóstico, explica o reumatologista Ari Radu Halpern, do Hospital Israelita Albert Einstein.

“É comum que essas dores passem com o tempo e que a pessoa nem procure um médico para investigar. Às vezes, nem dor a pessoa sente.”
Halpern diz que um problema da osteoporose é a falta de sintomas.

A aposentada carioca Eva Saraiva, 77, só descobriu a doença depois de quebrar o fêmur e procurar um médico. Passou 23 dias internada e outros seis meses na cama. Pouco depois da recuperação, teve outra fratura, dessa vez em uma das vértebras.

“Eu já caía muito, mas não sabia que tinha osteoporose. Foi só depois de fraturar o primeiro osso que descobrimos a doença”, conta ela.

Hoje, a aposentada usa muletas para se movimentar nas ruas e tem a casa inteira adaptada para evitar quedas.

“Não tenho tapetes espalhados e há suportes no banheiro para eu não escorregar. Se preciso alcançar algum objeto que fica no alto, uso um cabo de vassoura.”

GRUPOS DE RISCO

A osteoporose é caracterizada pela progressiva diminuição da densidade óssea. Fatores como histórico familiar, idade avançada e a queda nos níveis de estrogênio durante a menopausa acabam afetando os suprimentos de cálcio e tornando os ossos mais frágeis.

Segundo Jamil Natour, que é professor de reumatologia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), pessoas que pertencem a esses grupos ou mantêm hábitos como o sedentarismo e o consumo de álcool e cigarros devem despertar a atenção médica.

“Se há uma fratura em alguém que tenha esses fatores de risco, então o diagnóstico de osteoporose se impõe.”

Natour lembra que a imobilidade prolongada decorrente das fraturas pode até matar: “A qualidade de vida da pessoa diminui. Se ela fica de cama muito tempo, acaba tendo mais chances de desenvolver uma pneumonia ou uma embolia pulmonar”.

Para Halpern, o ideal é a prática de exercícios físicos e uma dieta rica em cálcio e proteína, tanto para prevenir a doença quanto para controlar os seus sintomas.

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