Delegações de 193 países estão reunidas em Nagoya, no Japão, para negociar acordos de proteção da diversidade biológica global (Foto: Yuriko Nakao / Reuters)

Brasil elogia disposição de transferir recursos a países em desenvolvimento.
Mas COP 10 segue bloqueada por disputas entre nações ricas e pobres.

O primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, anunciou nesta quarta-feira (27) que o Japão doará US$ 2 bilhões nos próximos três anos aos países em desenvolvimento para proteger a biodiversidade, uma iniciativa saudada pelo Brasil, porta-voz dessas nações.

“Vamos lançar uma iniciativa para apoiar os esforços dos países em desenvolvimento, para que elaborem suas estratégias nacionais e as apliquem”, disse Naoto Kan no discurso de abertura da sessão ministerial da 10ª Conferência sobre a Diversidade Biológica (CDB), que acontece em Nagoya.

“Concederemos uma ajuda de US$ 2 bilhões, em três anos, a partir de 2010”, garantiu o premier japonês.

A questão da ajuda financeira aos países em desenvolvimento é um dos pontos-chave da negociação que chegará  ao fim na sexta-feira.

Os outros temas cruciais são a instituição de metas globais para 2020 (percentual de áreas protegidas na terra e no mar, por exemplo) e a aprovação de um acordo sobre as condições de acesso das indústrias do Hemisfério Norte aos recursos genéticos dos países do sul.

Os representantes de 193 países estão reunidos desde 18 de outubro em Nagoya para tentar concluir acordos sobre os três pontos.

Extinção e conservação
Um amplo estudo sobre os vertebrados (mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes) apresentado nesta quarta-feira em Nagoya mostra que apesar de 20% das espécies estarem ameaçadas, os cientistas têm agora provas indiscutíveis dos efeitos positivos dos esforços de conservação.

Os cientistas identificaram 64 mamíferos, aves e anfíbios que tiveram o estado de conservação melhorado graças às medidas de proteção adotadas.

Mas apesar dos delegados presentes em Nagoya afirmarem ter consciência da situação, as negociações estão bloqueadas pelas habituais disputas entre países ricos e pobres, que já frustraram em grande parte as discussões na ONU sobre a luta contra a mudança climática.

Neste sentido, o anúncio do Japão acalmou os ânimos, mesmo sem a divulgação de detalhes sobre o destino do dinheiro e quanto consistirá em ajuda direta e quanto em empréstimos.

O Brasil, que se tornou o porta-voz dos países emergentes, elogiou a oferta do Japão.

“É uma boa notícia”, declarou à AFP a ministra brasileira do Meio Ambiente, Izabella Teixeira.

“Para nós, no Brasil, é muito importante destacar que novos fundos, dinheiro adicional, são absolutamente importantes para a nova fase (das negociações)”, acrescentou.

A ministra afirmou na terça-feira que as negociações internacionais sobre a biodiversidade em Nagoya devem resultar imperativamente em um acordo para conter a biopirataria.

Já a ONG Greenpeace, que faz parte da sociedade civil presente nas discussões, destacou que a oferta do Japão estimula as oportunidades de um acordo em Nagoya.

“É um grande início que o Japão apresente números concretos para proteger a vida na Terra”, afirmou à AFP o diretor do Greenpeace Wakao Hanaoka.

Da AFP

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