Dissidente cubano cita Orlando Zapata, que morreu na prisão ao fazer greve de fome

HAVANA – O dissidente cubano Guillermo Fariñas, laureado nesta quinta-feira, 21, com o prêmio Sakharov 2010 do Parlamento Europeu, dedicou a distinção a Orlando Zapata, o preso de consciência morto na prisão após uma greve de fome, aos “mártires” pela democracia e ao povo cubano. “Este prêmio não é de Fariñas, mas do povo cubano”, disse em conversa telefônica a partir de sua casa na cidade de Santa Clara, na região central de Cuba.

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Farinhas recebe prêmio Sakharov do Parlamento Europeu

Fariñas confessou que recebeu o Sakharov com um sentimento de “tristeza” porque para chegar a este momento Orlando Zapata precisou morrer e “ocorreram coisas muito horríveis entre os cubanos”. Por este motivo, o cubano quis dedicar o prêmio em primeiro lugar a Zapata e a “todos os cubanos que morreram pela democracia”, entre os quais destacou Pedro Luis Boitel, que morreu em 1972 na prisão Castillo del Príncipe, após uma greve de fome de 53 dias.

O psicólogo e jornalista independente de 48 anos, que neste ano protagonizou uma greve de fome de mais de quatro meses após a morte de Zapata, considera que a concessão do Sakharov representa um novo reconhecimento à dissidência interna, ao exílio cubano e aos presos políticos que ainda estão em prisão. Ele ainda agradeceu os democratas europeus e pediu que não esqueçam a luta destes grupos pelas liberdades em Cuba.

Fariñas é o terceiro opositor cubano que recebe, em menos de dez anos, o prêmio Sakharov do Parlamento europeu, concedido em 2002 ao dissidente Oswaldo Payá e em 2005 às Damas de Branco.

O prêmio chega poucos dias que os ministros de Exteriores da União Europeia revisem a chamada “posição comum” em direção a Cuba, que condiciona o marco de relações com Havana a avanços em matéria democrática.

Neste sentido, Fariñas entende que a União Europeia deve felicitar ao Governo de Cuba pelo processo de libertação de presos políticos empreendido este ano, mas considera que o gesto é ainda “insuficiente” para levantar essa posição comum.


Efe

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