
O chefe de cozinha, Odd Einar Tufteland, do restaurante Cornelius (Bergen) e o bacalhau verdadeiro secando
A Noruega divide com a Rússia o trecho do oceano Ártico conhecido como mar de Barents e, nele, o maior estoque remanescente do verdadeiro bacalhau, o do Atlântico (Gadus morhua). Não confundir com o do Pacífico, Gadus macrocephalus, que não está ameaçado.
Noutras paragens, como os Grandes Bancos do Canadá e o mar do Norte, cardumes de G. morhua entraram em colapso, o que levou à proibição de sua pesca.
Nos fiordes e nas áreas costeiras da Noruega, a retirada neste ano foi fixada em apenas 21 mil toneladas, embora o recomendado por cientistas fosse zero. A mesma recomendação de proibir a pesca já vale para 2011.
Em Barents, a situação é outra. A cota para este ano é de 607 mil toneladas. Para 2011, a recomendação científica é 703 mil toneladas. As cotas vêm aumentando porque o governo norueguês avalia que a população do peixe está em recuperação.
O número crítico monitorado é o de fêmeas em condição de desovar, o que ocorre a partir dos três anos. Na primeira desova, o peixe libera em torno de 400 mil ovos. As fêmeas mais velhas chegam a soltar 15 milhões deles.
Um bacalhau adulto atinge 1m30 e 40 kg. Se muitos deles forem pescados, sobrarão mais fêmeas pequenas, que produzem poucos ovos.
A organização não governamental WWF (World Wide Fund for Nature) pressiona o governo para controlar melhor a indústria do bacalhau. Sua preocupação maior é com a pesca não controlada.
Embora a política oficial norueguesa seja de reduzir a capacidade da frota pesqueira, segundo o WWF ela cresceu 70% desde 1990.
Noruega e Rússia administram em conjunto o estoque do mar de Barents, para torná-lo sustentável, mas também planejam explorar petróleo na região. Segundo
ambientalistas, um derramamento de óleo em área de desova teria efeitos desastrosos sobre a população de bacalhau.
Folha Online











