
O uso associado de mais de um medicamento para emagrecer, como sibutramina e xenical ou sibutramina e anfetaminas, foi defendido por especialistas no 29º Congresso de Endocrinologia e Metabologia esta semana, em Gramado.
“A associação de remédios é comum no tratamento de qualquer doença, não deve ser diferente com a obesidade”, disse o endocrinologista Alfredo Halpern, do Hospital das Clínicas de São Paulo, durante palestra.
A mistura mais comum é a de orlistate (xenical) com sibutramina, dois medicamentos com princípios ativos diferentes –o primeiro diminui a absorção de gordura e o segundo aumenta a sensação de saciedade.
Halpern testa em 41 pacientes a associação de sibutramina com topiramato, uma droga anticonvulsiva que causa a perda temporária de memória em 10% dos casos. “Todos remédios têm efeitos colaterais. Se isso incomodar o paciente, retiramos o medicamento.”
Não existem estudos científicos conclusivos sobre as consequências de combinar essas diferentes drogas. “Os pareceres iniciais dizem que seriam necessários mais alguns anos de testes. Meus pacientes não têm esse tempo”, argumenta Halpern.
Para Ricardo Meirelles, presidente da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), é preciso cautela ao falar sobre associação de medicamentos para emagrecer. “A Anvisa proíbe a combinação de psicotrópicos com sibutramina ou qualquer outro anorexígeno. Apesar de muitos médicos utilizarem, ainda estamos longe de recomendar o uso.”
Sibutramina não aumenta risco de doença cardiovascular, dizem especialistas
A ingestão de sibutramina, mesmo a longo prazo, não aumenta o risco de infarto ou AVC em pacientes sem histórico de doenças cardiovasculares.
A conclusão foi divulgada na última quinta-feira na revista “New England Journal of Medicine”. “Isso prova que a bula do medicamento sempre esteve certa e que as conclusões anteriores eram precipitadas”, disse o endocrinologista Walmir Coutinho durante o 29º Congresso de Endocrinologia e Metabologia esta semana, em Gramado.
O estudo foi realizado com 10.000 pessoas durante seis anos e teve a participação de oito países, incluindo o Brasil. Constatou-se que pacientes com doenças cardiovasculares tiveram um aumento de 16% no risco de ter infarto ou AVC não fatal.
“Essa sempre foi uma contraindicação da droga”, complementa Coutinho. Não houve relatos de pacientes com problemas psicológicos, como dependência ou depressão.
No início do ano, a Agência Europeia de Medicamentos (Emea) proibiu a venda de sibutramina depois da divulgação de alguns dados parciais do mesmo estudo. Em março, a Anvisa tornou obrigatória a apresentação de receita azul para a venda do medicamento. Em julho, determinou que a dose máxima a ser receitada não deve passar de 15 miligramas diárias.
“Houve uma interpretação errada dos resultados. Não é necessário enquadrar o produto como uma droga capaz de causar dependência. Isso só dificulta o tratamento e afasta pacientes”, afirma Ricardo Meirelles, presidente da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).
SEM ALTERNATIVA
Segundo Coutinho, fora a sibutramina, não há outra droga no mercado com a mesma aplicação e mesma segurança. “Sobram as anfetaminas, mas não há nenhuma comprovação de que seriam mais seguras, muito pelo contrário.”











