http://f.i.uol.com.br/folha/mundo/images/1019616.jpeg

O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner questionou a Igreja por sua oposição à lei que permite o casamento gay e aconselhou que a instituição “se modernize e não repita os velhos pecados, abrindo o coração a todos os argentinos”, informa o jornal “El Clarín”.

“Cada vez que um país se decide pela ampliação dos direitos, como é a inclusão igualitária, esse país está crescendo”, disse Kirchner, que classificou a medida como “um passo transcendentes”.

pós confrontos entre grupos pró e contra e mais de 14 horas de discussão, a Argentina se tornou o primeiro país da América Latina e o décimo do mundo a autorizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Em uma sessão tida como histórica, o Senado aprovou na madrugada desta quarta-feira –com 33 votos a favor, 27 contra e 3 abstenções– o projeto de lei que dá aos casais do mesmo sexo os mesmos direitos, responsabilidades e proteções legais que o casamento garante aos heterossexuais.

CRISTINA

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, elogiou nesta quinta-feira a aprovação histórica do casamento gay no Senado do país. Já aprovado pelos deputados, o projeto de lei segue agora para a sanção presidencial, para então a Argentina ser oficialmente o primeiro país da América Latina a permitir o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

“É um passo positivo que defende o direito da minoria na Argentina”, disse Kirchner, que está  em Xangai, no último dia de sua visita à China.

“O fato de que se falava de uma guerra de Deus, por exemplo, mostrou uma radicalização que não foi positiva de maneira alguma”, continuou Kirchner, em referência ao termo utilizado pelo arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, que encabeçou a cruzada contra o projeto de lei.

Kirchner, que já declarara seu apoio ao projeto, comparou a aprovação com os avanços obtidos com a permissão do voto para as mulheres, a aprovação dos casamentos inter-raciais nos Estados Unidos e o matrimônio civil na Argentina, instaurada em 1888.

VANGUARDA

Mais cedo, o chefe de gabinete argentino, Aníbal Fernández, declarou que o país se colocou “na vanguarda da reivindicação dos direitos” dos homossexuais na América Latina.

“O que o Congresso não se animou a fazer nunca, e o Executivo tampouco havia enviado projetos com estas características. Hoje, entre todos, demos uma lição”, garantiu ele nesta quinta-feira à rádio Continental, citado pela agência oficial Télam.

Fernández negou, contudo, que houvesse uma disputa religiosa entremeado nas discussões sobre a norma.

“O que estávamos discutindo era a necessidade de chegar a esse setor, ou a este segmento, que durante muitos anos sofreu, padeceu esta situação por não ter uma reivindicação de seus próprios direitos, e hoje encontra uma solução definitiva com a sanção da lei”, continuou.

HISTÓRICO

Na Argentina, a Lei de União Civil da cidade de Buenos Aires, aprovada no final de 2002, foi o primeiro antecedente no país.

Apenas quatro cidades argentinas admitiam a união civil entre pessoas do mesmo sexo. Desde dezembro, pelo menos oito casais homossexuais se casaram no país mediante recursos judiciais, mas alguns enlaces foram posteriormente cancelados.

Agora, contudo, o país se torna o primeiro na América Latina a reconhecer o casamento gay nacionalmente.

O projeto, caso seja sancionado, garante a gays e lésbicas os mesmos direitos e responsabilidades de casais heterossexuais. Isto inclui muito mais direitos do que as uniões civis –legalizadas também no Brasil–, incluindo adoção e direito a herança.

“Casamento garante os mesmos requisitos e efeitos independentemente das partes contraindo serem do mesmo sexo ou de sexos diferentes”, diz o projeto.

Folha de São Paulo com Agências de Notícias


Related Posts with Thumbnails