Eduardo Gold, 55, diz que não se importa de ser chamado de louco. Foi assim a vida inteira, e não esperava nada diferente agora, quando resolveu subir os Andes para devolver o branco às montanhas negras pelo degelo.
O trabalho começou há um mês, sem apoio e para troça até da comunidade dos que lutam contra o aquecimento global. Mas Gold está determinado a provar que pintar de branco as rochas não é um truque cenográfico.
“É preciso fazer algo imediatamente. Os que lutam contra o aquecimento global só falam sobre mercado de crédito de carbono e estão fechados em suas ideias convencionais”, disse ele à Folha, por telefone.
“Nunca imaginei que estaria a 5.000 metros de altura, ao lados dos camponeses, e estou muito feliz. Não acho que o projeto é uma solução definitiva. Mas, se conseguirmos retardar algo do degelo, haverá mais tempo para desenvolver tecnologias.”
O raciocínio do peruano, que é inventor amador, foi simples. Sem a cobertura de neve, a montanha andina absorve mais calor do Sol. Novamente branca, a temperatura cai ao menos 50%, porque a luz solar é refletida pela coloração, e é possível ver, ele diz, até uma fina camada de água congelada.
A meta da ONG Glaciais do Peru, que ele criou com outros dois amigos, é cobrir uma área de cem hectares até outubro, antes que as chuvas apertem. O monte escolhido foi o Chalón Sombrero, na região de Ayacucho (centro-sul do Peru).
Os camponeses da comunidade de Licapa foram convidados a ajudar -e recebem cerca de US$ 10 pelo trabalho. No povoado de 900 pessoas sem luz elétrica, ninguém fala de aquecimento, embora a cor negra da montanha seja vista como sinal de mau agouro e perigo.
Se o ministro do Ambiente do Peru, Antonio Brack, já disse que a iniciativa é uma “bobagem”, o Banco Mundial vê a coisa de outra maneira. Em novembro, a ONG ganhou um prêmio de US$ 200 mil no concurso “Cem ideias para salvar o mundo”.
O Peru abriga 70% dos glaciais em área tropical do mundo. Eles podem acabar desaparecendo em 20 anos.
Porém, para o glaciologista Jefferson Simões, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), não será a ideia de Gold a responsável por deter o problema. “Mesmo que ele investisse uma fortuna, só atingiria o microclima de uma geleirinha. E daí? Nós tratamos com escalas gigantescas”, afirma Simões.
“O balanço de massa [de gelo] não depende só de como a luz solar é absorvida. É importante também a taxa de precipitação de neve, que depende da circulação atmosférica”, diz ele.
Folha Online Ciência












O que os capixabas pensam sobre Mudanças Climáticas?
De modo a conhecer o perfil de percepção ambiental da sociedade frente à problemática (causas, efeitos, prós e contras) das Mudanças Climáticas, tendo como base a Região da Grande Vitória, ES – municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica – o Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA (grupo sem fins lucrativos), desenvolveu uma pesquisa (35 aspectos abordados) com 960 pessoas (+ – 3% de erro e 95% de intervalo de confiança), com o apoio da Brasitália.
Metade dos entrevistados foi de pessoas com formação católica e, os demais, evangélica. Apesar de a amostra ter sido constituída dessa forma o objetivo da pesquisa não visa individualizar os resultados da pesquisa para cada segmento religioso em questão.
Os entrevistados admitem ler regularmente jornais e revistas (48,1%), assistem TV (58,3%), não participam de Audiências Públicas convocadas pelos órgãos normativos de controle ambiental (88,9%), bem como de atividades ligadas ao Meio Ambiente junto às comunidades (não – 43,2% / não, mas gostaria – 39,7%), apresentam um reduzido conhecimento das ONGs ambientalistas (4,9%), não acessam (72,8%) sites ligados à temática ambiental (19,1% não tem acesso a computador), além de indicarem o baixo desempenho das lideranças comunitárias no trato das questões ambientais (29,2% / sendo que 40,0% admitem não conhecer as lideranças de suas comunidades), e admitem interesse por temas ligados à temática ambiental (42,3% / 44,2% apenas às vezes).
Admitem conhecer termos (não verificada a profundidade do conhecimento assumido) como biodiversidade (63,6%), Metano (51,7%), Efeito Estufa (81,3%), Mudanças Climáticas (84,7%), Crédito de Carbono (26,0%), Chuva Ácida (57,8%), Agenda 21 (16,5%), Gás Carbônico (60,9%), Clorofuorcarbonos (36,6%), Aquecimento Global (85,4%), bicombustíveis (74,1%), Camada de Ozônio (74,3%) e Desenvolvimento Sustentável (69,5%), com 70,0% do grupo relacionando às atividades humanas às Mudanças Climáticas e que a mídia divulga muito pouco os temas relacionados ao meio ambiente (44,2%), apesar da importância do tema.
A ação do Poder Público em relação ao meio ambiente é considerada fraca (48,2%) ou muito fraca (30,2%), os assuntos ligados à temática ambiental são pouco discutidos no âmbito das famílias (60,1% / 15,5% admitem nunca serem discutidos), enquanto a adoção da prática da Coleta Seletiva só será adotada pela sociedade se for através de uma obrigação legal (34,3%) e que espontaneamente apenas 35,7% adotariam o sistema. Indicam que os mais consumos de água são o “abastecimento público” (30,3%), seguido das “indústrias” (22,9%) e só depois a “agricultura” (10,7%), percepção inversa a realidade.
Em análises em andamento, os resultados da pesquisa serão correlacionados com variáveis como “idade”, “gênero”, “nível de instrução”, “nível salarial”, “município de origem”, entre outras, contexto que irá enriquecer muito a consolidação final dos resultados, aspectos de grande importância para os gestores públicos e privados que poderão, tendo como base uma pesquisa pioneira no ES, definir ações preventivas e corretivas voltadas ao processo de aprimoramento da conscientização ambiental da sociedade.
É importante explicitar que, com o apoio do NEPA, está pesquisa já está sendo iniciada em outras capitais. O grupo está aberto a realizar parcerias de modo a assegurar, progressivamente, o conhecimento do perfil nacional da sociedade em relação à temática das Mudanças Climáticas. Não há como ignorar, se é que ainda não se deu a plena atenção a este fato, a importância da participação consciente da sociedade nas discussões que envolvem este importante tema.
Roosevelt S. Fernandes, M. Sc.
Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
roosevelt@ebrnet.com.br