
Porta de vidros terão que ser sinalizadas
O objetivo é evitar acidentes, mas a lei está provocando polêmica na cidade. Lojistas acham que é exagero.
Portas de vidro, vitrines, sempre reluzentes, podem ser um perigo para os mais desatentos. Em São Paulo, uma lei recém criada para diminuir o risco de acidentes está dando o que falar. Os lojistas vão ter que pôr sinalização nas vitrines e em portas de vidros de lojas e prédios particulares. O objetivo é evitar acidentes. Lojistas acham exagero.
O charme da vitrine tem um propósito: fazer brilhar os olhos e acender o desejo de quem passa.
“Acho que não tem mulher que não compre por impulso. A vitrine ajuda a isso”, admite uma paulistana.
“Às vezes você nem está precisando, mas acaba vendo na vitrine, gosta, experimenta, leva”, diz a estudante Ana Carolina Hikiti.
Em São Paulo, a transparência das vitrines está comprometida. É que a prefeitura acaba de regulamentar uma lei obrigando os lojistas a colocar uma faixa de dois centímetros de largura, no mínimo, em toda a extensão da vitrine para evitar acidentes.
Quem já quebrou a cara, acha melhor prevenir do que remediar. A professora Irani Barbeiro Nisti ainda sente a dor da batida, no sábado passado, contra a porta de vidro de uma loja. No impacto, ela fraturou o nariz: “Gostei de um vestido que estava no fundo da loja e resolvi entrar para ver, mas ao entrar, a porta estava fechada. Não vi o vidro”.
O presidente da Associação Comercial de São Paulo, Alencar Burti, concorda que é importante a sinalização em portas. Já nas vitrines…
“Sou comerciante há 50 anos, eu tinha joalheria na rua, nunca ninguém bateu cabeça em vitrine. Para que criar coisas que são fundamentalmente inúteis, que não representem melhoria nenhuma?”, questiona Alencar Burti.
A lei estabelece multa de R$ 500 para quem desobedecer. Os lojistas torceram o nariz para a medida.
“Simplesmente vai tirar o visual da vitrine. As roupas vão ficar escondidas, a beleza da roupa não vai aparecer”, reclama a lojista Laudiceia Bernardes.
Pode até ser. Mas para algumas pessoas, uma faixa não parece suficiente para conter o impulso consumista.
“Tanto faz, para quem quer comprar uma faixa não atrapalha”, diz a bancária Ivone Tavares.
Prédios públicos e particulares que tem fachadas ou portas de vidro também vão precisar se adaptar à lei. Todos têm 30 dias para fazer as mudanças ou serão multados.
Bom Dia Brasil – G1











