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Salvar baleias ameaçadas de extinção pode aumentar a capacidade de armazenamento de carbono no oceano Antártico, segundo novo estudo sobre as fezes do mamífero. Os excrementos despejam enormes quantidades de ferro no mar, o que impulsiona o crescimento do fitoplâncton, sequestrador de carbono.

O autor da pesquisa, Stephen Nicol, da Divisão Antártica Australiana com sede em Kingston, na Tasmânia, encontrou grande quantidade de ferro no cocô das baleias. Ele considera que a caça comercial dos animais pode ter sido responsável pela diminuição de cerca de 12% de ferro na superfície do Antártico.

Estudos anteriores mostram que o ferro é crucial para a saúde do oceano porque o plâncton precisa dele para crescer. “Se você  adicionar ferro solúvel no oceano, obtém o crescimento do fitoplâncton instantaneamente”, disse o pesquisador. A quantidade de ferro nas fezes significa que proteger as baleias da Antártida poderia inchar as populações de fitoplâncton, que absorvem o dióxido de carbono.

O krill antártico (Euphausia superba) –pequeno crustáceo– alimenta-se de fitoplânctons, concentrando o ferro em seus tecidos. Por sua vez, as baleias se alimentam deles.

Rações de ferro

Uma pesquisa anterior levantou que as baleias reciclam o ferro do oceano se alimentando da substância encontrada no krill e, posteriormente, liberando-a nas fezes para os plânctons. Mas até este estudo, ninguém havia analisado o excremento dos mamíferos para constatar se eles continham significativa quantidade de ferro.

A equipe de Nicol analisou 27 amostras de quatro espécies de baleias e descobriu que nas fezes de um animal em média existem 10 milhões de vezes mais ferro do que na água do mar da Antártida.

Os pesquisadores confirmaram que o ferro veio do krill, pela análise do teor da substância em todo o crustáceo e da amostra do material genético do DNA das fezes. “Nós confirmamos que a grande maioria do ferro no cocô veio do krill”, explicou o autor.

Comedores de Big Mac

Pelas estimativas da população de baleias no oceano Antártico antes da caça comercial que teve início no começo do século passado, Nicol levantou que os mamíferos –agora em perigo– consumiam cerca de 190 milhões de toneladas de krill todos os anos e produziam 7.600 toneladas de fezes ricas em ferro.

De acordo com o autor da pesquisa, populações maiores teriam produzido mais ferro, causando o aumento do número de fitoplânctons e krill.

“Proteger as baleias implica no lento recomeço do sistema”, disse ele. “E isso acabará por aumentar a quantidade de CO2 que o oceano Antártico pode sequestrar.”

David Raubenheimer, pesquisador de ecologia nutricional marinha da Universidade Massey, em Auckland, Nova Zelândia, afirmou que as descobertas são importantes e convincentes. “Elas destacam um papel ecológico específico para as baleias nos oceanos diferente do seu carisma.”

Peter Gill, ecologista da universidade de Deakin em Warrnambool, na Austrália, chama a pesquisa de “excitante”. “Muitas baleias foram retiradas dos mares antes que pudéssemos compreender a ecologia do oceano”, disse. “É emocionante quando podemos reconstruir o passado e percebemos que todas as peças se encaixam.”

da New Scientist

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