É a tubi, pouco conhecida pela ciência. Ela tem um propagandista: o criador Wilson Melo, que nos convidou para visitar a sua propriedade e conhecer a abelha tubi.
O município de Barra do Corda fica no sul do Maranhão, a 450 quilômetros de São Luís. Como já sabia da nossa visita, seu Wilson espalhou faixas pela cidade desejando boas vindas para nossa equipe.
Para chegar na casa dele tivemos que descer uma ladeira a pé. É que choveu muito na noite passada e o carro não conseguiria fazer o caminho de volta. Seu Wilson contou que escreveu o e-mail uma semana depois que comprou o computador. O enxame do seu Wilson é um exemplo de como a abelha tubi vive na natureza. “Aqui é uma colméiazinha dela no tronco da árvore aqui”, diz seu Wilson.
Troncos de árvores servem de moradia para muitas abelhas sem ferrão. O Brasil possui cerca de 400 espécies e muitas delas ainda sem nenhum estudo. As mais famosas são a jataí, a mandaçaia, a uruçu e a jandaíra.
A abelha tubi é do sul do Maranhão, sul do Piauí e norte do Tocantins. Ela tem menos de um centímetro e sua espécie ainda não foi identificada cientificamente. A tubi vem ganhando fama depois que seu Wilson passou a frequentar eventos por todo o Brasil.
O interesse pela abelha tubi começou há 25 anos, quando seu Wilson ainda era produtor de acerola. E já que as abelhas nativas são excelentes polinizadoras, ele saiu em busca de uma espécie regional para aumentar a produção dos seus 2.100 pés da fruta. “Um dia eu visitei um vizinho e quando cheguei lá ele estava brigando com um caixãozinho de abelha porque ela não produzia mel, só produzia pólen. Que o pólen ele chama de saborá e xingando
e aquela porcaria não dava mel, só dava saborá e ia jogar aquela abelha no mato. E eu me ofereci a comprar”, conta seu Wilson.
Ele abandonou a acerola depois disso porque a cooperativa que tinham faliu. “Aí eu passei dois anos sem tirar acerola e depois resolvi arrancar essa acerola e tocar o barco só nas abelhas. É a minha fonte de renda, 99%”, diz.
Com a própolis e com o polén da tubi, seu Wilson faz sabonete, shampoo, pomada e xarope.
As abelhas sem ferrão, como a tubi, fazem parte de um grupo chamado meliponíneos, daí o nome para o lugar onde elas são criadas: meliponário em vez de apiário. Os meliponários do seu Wilson têm até 60 caixas cada um. E ele tem 13 no total.
A caixa com tubi tem em torno de dez mil abelhas, pelo menos o dobro da população encontrada em colméias de outras espécies brasileiras. Segundo ele, cada colméia produz até oito quilos de pólen por ano, um quilo e meio de própolis por ano e de mel apenas duzentas ou trezentas gramas, no máximo trezentas gramas.
Para que não haja concorrência da florada, seu Wilson deixa uma distância mínima de seis quilômetros entre um meliponário e outro. Seu Wilson notou que as caixas de madeira onde ficam as colmeias influenciam, sim, na produção das abelhas. Ele usou um dos caixotes por cerca de 18 anos e aí adaptou para outro. “É um caixote de 50 x 25 e com a tampa. Adaptei para essa outra caixa aqui, que ela se desenvolveu mais rápido. Que é o ninho, uma melgueira, outra melgueira e a tampa”.
E as medidas são as seguintes: 29 centímetros de frente, 25 de lateral e 24 de altura. Oito para cada repartimento. Dentro da caixa, fundos vazados com três ripas ajudam na sustentação do ninho e dos potes de mel e pólen.
Uma das razões da tubi produzir tanto pólen é o fato da colmeia ser tão populosa. “Ela tem uma quantidade de indivíduos muito grande comparando com as outras abelhas nativas. E tem a relação de que ela tem um investimento grande na reprodução, para perpetuar a sua espécie. Então, esse pólen ele é determinante no desenvolvimento da larva. Até fechar o casulo e, depois, romper o casulo e ela já nasce, então adulta”, diz Malheiros.
Longe do alvoroço das abelhas, o seu Wilson trouxe aqui para a gente, uma caixa cheia de pote, com pólen e mel. “Com uma pequena quantia de mel. Que chega a ter no máximo 10% de mel aqui dentro, que não tiro. Eu prefiro explorar o pólen e deixar o mel para ela se alimentar, que ela vai produzir mais pólen para mim”, diz.
Você pode se perguntar por que o seu Wilson Melo e o César Dassie vestiram aquela roupa de proteção, se a tubi não tem ferrão. É que essa abelha tem outra forma de se defender, com a mandíbula, e belisca muito.
Globo Rural












ola, queria saber como que eu faco para entrar em contato com voces pra saber mais sobre essa abelha e como que eu faco pra comprar um pouco de polen.
att, fagner
muito bom o pots