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Na volta às aulas o Jornal Hoje percorreu algumas escolas e fez o teste da mochila. Um ortopedista ensina a maneira correta de usar este acessório que acompanha todo estudante ao longo do ano letivo.

Eles parecem carregar o mundo nas costas, dentro da mochila.

“Por exemplo, tem lápis de cor, que eu não sei quando vão pedir pra usar”, diz um garoto.

“Bota brinquedo, revistinha, um monte de coisa”, conta uma mãe.

“Maquiagem, às vezes”, declara uma garota.

“Pende pra um lado, pende pro outro e acaba dando estes problemas escoliose, lordose”, diz outra mãe.

“Eu já sou meio corcunda. Estojo, garrafa d”água, agenda, livro”, diz uma estudante.

Na balança mais de sete quilos. “Sinto como se tivesse queimando o ombro”, diz ela.

“Quando coloca não sente dor, mas quando tira sente muito”, explica o estudante.

A mochila de Pedro tem rodinhas, mas ele quase nunca usa. Vazia ela pesa dois quilos e seiscentos gramas

“Está cinco vezes acima do peso que seria ideal. O peso total da mochila vazia não deve ser superior a meio quilo”, orienta Gilberto Francisco Brandão, ortopedista pediatra.

O peso com o material escolar não deve ultrapassar 10% do peso da criança ou adolescente.

Vitor pesa 38 quilos e a mochila mais de cinco. “Quase dois quilos a mais do que o permitido pelo peso dele. Ele ta tentando manter o equilíbrio levando o corpo pra frente. Com certeza toda esta musculatura da cintura escapular e do ombro está sendo mantido tensa. Muitas crianças que já tem predisposição genética tem alguma alteração da na angulação da coluna ou escoliose, uma sifose, com certeza com este peso excessivo este processo ele vai ser intensificado”, orienta.

Quem usa as rodinhas, atenção: “É importante ter um regulador de altura, de forma que o puxador seja levantando e a criança fique com o cotovelo em torno de noventa grau”, ensina. Também alterne as mãos na hora puxar

A mochila ideal deve ser feita de material leve, nas costas é preciso que ela tenha uma espécie de encosto acolchoado, alças largas e também alcochoadas, e ainda é importante que ela tenha um cinto preso na cintura.

“Isso evita que a mochila afaste da coluna da criança e não provoque aquela sobrecarga de peso. A posição correta é que ela fique cinco centímetros acima da cintura. E evite carregar a mochila de um lado só do ombro”, orienta.

Arrumar o material da forma correta também ajuda. “Colocar sempre o caderno e o livro mais pesado no fundo da mochila, de forma que esses ficam mais próximo da suas costas”.

Bom mesmo é que a escola tenha escaninhos para guardar o material mais pesado. “Eu acabei ficando mais aliviada e tendo mais equilíbrio”, diz.

“É um esqueleto que está em crescimento, este esqueleto não pode ser submetido a forças extremas”, conclui o médico.

Jornal Hoje – Liliana Junger – Belo Horizonte

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