- Foto: Infrogmation
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- Foto: Ray Devlin
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Por Maria Isabel Matins
A pergunta que todos me fizeram quando eu estava lá: “O carnaval do Brasil e parecido com o nosso?” me levou diretamente a uma comparação.
Talvez não exista outro carnaval tão parecido e ao mesmo tempo tão diferente do carnaval do Brasil como o carnaval de New Orleans, principalmente se comparado ao do Nordeste.
E uma verdadeira multidão brincando pelas ruas, camelos que se espalham por toda a cidade; muitas pessoas, mas muitas mesmo, bebendo algumas diferentes misturas alcoólicas, degustando a excelente comida local, assistindo a shows particulares de exibicionistas solitários, curtindo música, assistindo desfile de carros, liberando seus sentimentos e uma energia sem fim que começa bem cedo do dia e se estende noite adentro. Esta e a essência do carnaval do Brasil e esta e a essência do carnaval de New Orleans.

Parada Zulu em News Orleans, ano 2008 (Foto: G. J. Charlet III)
Mas o que ha de diferente, então?! O carnaval de New Orleans e único nos Estados Unidos e, a exemplo dos carnavais europeus desde os séculos passados, as pessoas usam mascaras; praticamente todos que desfilam nos carros alegóricos e muitos dos que estão nas ruas. Sao mascaras diferentes das nossas (No Brasil, com exceção de uma cidade, cujos foliões são “mascarados e caretas”, não se tem conhecimento de outro carnaval idêntico).
Os carros alegóricos distribuem, digo, jogam milhares de beads – um colar de bolinhas plásticas, confeccionados em diferentes tamanhos e cores brilhantes. As cores-símbolo do Mardi Gras são verde, amarelo e roxo, simbolizando fé, poder e justiça, respectivamente. Também das sacadas as pessoas se divertem e divertem o publico passante jogando beads (dica: não caia na tentação de comprá-los, a não ser que você queira algum muito especial; não faca como eu, marinheiro de primeira viagem, que me emocionei logo na chegada e sai comprando beads e então logo em seguida me dei conta que se consegue muitos beads for free).Outros brindes são jogados, mas a vedete são os beads. O maior objetivo e uma das maiores diversões consiste em tentar pegar o maior numero possível destes colares. E divertido ver e participar da multidão adulta tentando apanhar muitos beads, que não possuem valor algum, mas, como crianças, querem pega-los pelo simples fato de mostrar quem consegue mais; e também porque e dado de graça, claro! A coluna enverga e o pescoço dói devido ao peso, mas e um “orgulho” exibir muitos beads.

Foliões exibindo os Beads (Foto: Redfilter25)
A musica também e diferente. Jazz e a marca registrada de New Orleans e os Blues, muito apreciados. Mas eles desenvolveram um ritmo diferente tocado mais especialmente em Mardi Gras: e uma mistura incrível que tem a influência creole direta (creole é a mistura de franceses com negros). E um som energético, divertido e gostoso mixando diversos ritmos e instrumentos, incluindo a gaita; lembra bem de leve o nosso samba, pois da para sacudir as cadeiras e os ombros num passo parecido, mas não da para comparar realmente.
Mardi Gras, que significa a terça-feira gorda de carnaval, traduzida do francês, e mesmo o ultimo dia de carnaval que encerra uma festa que começou em torno de 15 dias antes. Esta festa considerada a maior festa popular gratuita dos Estados Unidos, e talvez do mundo (Gratuita? Eu diria nem tanto, pois não há período mais caro para se ir a New Orleans) começa muito antes, já em janeiro, dependendo do calendário de cada ano, indo num crescente ate seu encerramento. Os quatro últimos dias são reservados para os maiores e mais importantes desfiles, os mais ricos carros alegóricos e o maior numero de bandas marciais. Ah, sim, isto e um detalhe muito particular do Mardi Gras: as bandas não são de musicas para dançar, mas são de bandas marciais que podem ser de escolas publicas, da polícia, dos militares, da guarda-maritíma e sempre acompanhadas de cheerleaders – aquelas meninas imitando bailarinas que sempre acompanham as bandas com diferentes coreografias. Para nos, brasileiros, tao acostumados a dançar no carnaval, isto soa um pouco estranho. Carnaval sem dança parece não ser carnaval, mas Mardi Gras em New Orleans e tão especial que dança não chega a fazer falta. Ate porque se pode fazê-lo nos lugares onde esta acontecendo algum show espontâneo.
Você conseguiu ver a diferença, ou as diferenças? São poucas e marcantes.
Mas a cidade de New Orleans não é só isso. Se você não curte o carnaval, ou se quer ao mesmo tempo conhecer um pouco mais a cidade, há muito para se ver e fazer por lá. New Orleans e festa o ano inteiro. E sinônimo de musica, de noite festiva, de boemia.
O French Quarter e o bairro que reúne o maior número de bons restaurantes, bares, musica, shows e arquitetura. Um passeio a pe ou de carruagem (US$ 10.00/pessoa) neste bairro para apreciar a belissima arquitetura dos prédios antigos, fará você se sentir na Europa – a propósito N.O. e tida como a cidade mais européia dos Estados Unidos.
Você pode curtir a House of Blues – o nome ja diz tudo -, na Decatur St. No romântico Café du Monde, nessa mesma avenida, você saboreia um delicioso café acompanhado de algo como um donuts muito famoso, que se chama beignet, e atrás desse mesmo local podem ainda ser apreciados shows de bandas e músicos locais, gratuitamente. Para experimentar frutos do mar no estilo creole & cajun voce deve ir ao Felix’s Restaurante, na Bourbon St. – peca ostras a Rockefeler e Bienville, você nunca mais vais esquecer. No Café Pontalba, na Saint. Charles St. com Saint Peter, você pode provar um Cajun Combination, que reúne Jambalaya, Gumbo e outras especialidades.O que e isso? Você tem que ir lá e descobrir por si mesmo.
Ainda no French Quarter voce pode comer, ou tentar comer, um super sanduíche que tem o nome de Muffuletta, a base de diversos embutidos, azeitonas e alguma coisa mais não identificável, num enorme e delicioso pão redondo. Se você não e um comilão convicto, nao se acanhe em pedir só a metade que, neste caso e US$ 5.00. O original você encontra na Central Grocery Co., na Decatur St.
O Hurricane, uma tradicional bebida a base de rum, suco de frutas e outros venenos, pode ser encontrado em todos os bares, mas NAO compre nos “bares camelos”, pois as misturas são meio-falsificadas. Para aqueles que gostam de café com licor e outras “cachaças” mais, esta reservado o Café Jamaicano, encontrado nas boas casa do ramo.
Os que gostam de muita companhia, alegria e fervo, devem ir ate a Bourbon St., onde, a noite, não se consegue nem andar, tal e a aglomeração de pessoas; e os amantes de antiguidades – aqueles a quem Deus deu bom gosto e muito dinheiro – devem se dirigir a Royal St., especializada nesta atividade.
Uma foto a moda antiga (na St. Ann St, por US$ 14.00 em media) fará você se sentir no passado tornando ainda mais divertida a sua estada em N.O.
O passeio de trolley pelo Riverfront pode não ser o mais interessante, mas certamente e uma facilidade para levar você de downtown ate o French Quarter por US$ 1.25 quando você já estiver cansado. Este trecho e mais ou menos oito quadras.
Você pode tentar a sorte num cassino (ha um no centro da cidade), mas não se emocione ou não terá dinheiro para distribuir pelas ruas como forma de agradecer os momentos emocionantes ou hilários proporcionados pelos muitos shows individuais que terão lugar em todas as esquinas e praças. A propósito, a praça na frente da Catedral, no coração do French Quarter, e o lugar apropriado para ver como anda a sua sorte na leitura da mão ou taro, fazer uma pintura no rosto (em torno de US$ 10.00), fazer massagem, comprar quadros de pintores desconhecidos e outras artes, fazer a sua engraçada caricatura, ver dezenas de shows se desenvolvendo ao mesmo tempo, ou simplesmente para observar a uma enorme multiplicidade de pessoas que por ali passa.
Num passeio de barco paddlewheeler no Rio Mississipe (US$ 11.00 a 15.00) pela manha você poderá apreciar o fog que vem do rio em direção a cidade deixando suas margens e adjacências cobertas de um véu transparente tornando-a ainda mais romântica.
Passeie, observe, deslumbre-se, explore, coma, beba, escute, delicie-se, romanceie. Esta e New Orleans e este e o French Quater, na minha opinião um dos melhores lugares na Terra para se curtir a vida em sua plenitude.
Quando você conseguir sair dai vá ate a Canal St – a principal no centro da cidade – com a Carandole St e pegue o Street Car, o mais antigo trolley em uso continuo no mundo desde sua instalação em 1893, para um passeio pela St. Charles St., idade e volta de 2 horas por US$ 2.50. Você ainda pode descer e passear pelo District Garden, onde mansões e jardins deslumbrantes se espalham por todo o bairro fazendo você se perder em sonho e encantamento.
Enquanto estiver esperando o desfile na Cabal St., vá até o Popeys e peca o prato Creole Chicken Etouffee (US$ 5.00 com o refrigerante); e a melhor opção para restabelecer a energia de qualquer humano.
Em final de fevereiro a temperatura e muito agradável – em torno de 20C, mas as estatísticas informam que outubro e perfeito por ter sol durante todo o mês.
Para o carnaval ha que se levar em conta o preço de tudo que tem um aumento considerável, assim como o tráfego que e intenso desde o aeroporto (distante 30min do centro da cidade). Faça a reserva com uns dois meses de antecedência, ou mais, para não correr o risco de só conseguir hotel em outra cidade próxima, o que vai encarecer ainda mais seu orçamento.
Se o hotel não oferecer traslado, o preço de shuttle oficial do aeroporto ate o centro e US$ 10.00. O cab, a noite, e coisa rara alem de fazer valer a lei da oferta e da procura.
Jazz e Blues, substanciosa comida creole & cajun, French Quarter, passeio de barco pelo Rio Mississipi e passeio de trolley pela St. Charles St.), sao programas imperdíveis.
E ainda tem mais, pois eu mesma não consegui fazer tudo.
Brasileiro? Não vi nenhum, mas certamente havia mais algum perdido – ou bem achado por lá, como eu.


















