Um esquema de geração de células-tronco pluripotentes induzidas (iPS). (1)As células doadoras são isoladas e cultivadas. (2)Transferem-se os genes das células-tronco associadas para as células doadoras por meio de vetores virais. As células vermelhas indicam as células que manifestam os genes exógenos. (3)As células cultivadas são colhidas de acordo com estratégias de cultivo de células-tronco, pela utilização de fibroblastos mitoticamente inativos (cor cinza claro) (4)Um pequeno subgrupo dessas células transfectadas tornam-se células-tronco pluripotente induzidas e a partir desse momento produzem colônias de células-tronco.
WASHINGTON - Em um resultado surpreendente que pode ajudar na compreensão do câncer e do envelhecimento, pesquisadores que trabalham com um tipo alterado de célula-tronco disseram ter revertido o processo de envelhecimento associado a uma rara doença genética.
A equipe do Children’s Hospital, de Boston, e do Instituto da Célula-Tronco de Harvard trabalhava com um novo tipo de célula chamada célula-tronco pluripotente induzida (ou iPS, na sigla em inglês), muito parecida com as células-tronco embrionárias, mas feitas com células cutâneas comuns.
Eles queriam estudar uma rara doença que causa envelhecimento precoce, a disceratose congênita, um distúrbio da medula óssea que provoca sintomas da velhice como cabelos brancos e unhas tortas, além de um risco mais elevado de câncer.
Raríssima, a doença costuma ser diagnosticada entre os 10 e 30 anos de idade. Em cerca de metade dos pacientes a medula óssea deixa de produzir sangue e células imunológicas de forma adequada.
Um dos benefícios das células-tronco e das células iPS é que os pesquisadores podem obtê-la de uma pessoa com uma doença para estudar a enfermidade em laboratório. George Daley, de Harvard, e seus colegas estavam produzindo células iPS de vítimas de disceratose congênita para estudar o problema.
Mas, segundo relato na edição de quinta-feira da revista Nature, o próprio processo de fabricação das células iPS pareceu reverter um dos principais sintomas celulares da doença –a perda da telomerase, uma enzima que ajuda a manter os telômeros (as “pontas” no fim dos cromossomos que carregam o DNA). Quando o telômero se decompõe, a célula envelhece, o que leva a doenças e à morte.
No câncer, no entanto, a telomerase parece ajudar as células tumorais a se tornarem imortais e a se replicarem descontroladamente. Alguns medicamentos experimentais contra o câncer atacam a telomerase.
Um gene chamado Terc ajuda a restaurar os telômeros, e a equipe de Daley disse que talvez as células tumorais usem o Terc para se tornarem imortais.
Ao produzir células iPS e fazê-las crescerem em laboratório, a equipe de Daley descobriu que elas tinham o triplo de Terc do que as células doentes das quais foram obtidas.
A mera transformação das células cutâneas em células iPS ajudava a restaurar os telômeros danificados, disse a equipe de Daley. Isso, na teoria, paralisa também um importante componente do processo de envelhecimento.
“Não estamos dizendo que encontramos a fonte da juventude, mas o processo de criar células iPS recapitula parte da biologia que a nossa espécie usa para se rejuvenescer a cada geração”, disse Suneet Agarwal, colega de Daley, em nota.
Tratamentos para restaurar o gene Terc podem ajudar pacientes com disceratose congênita, disse a equipe. Agarwal afirmou que a busca agora é por verbas para continuar os estudos.
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