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Homem da Meia Noite

Festa sem censuras, as sátiras políticas encontram-se muito presentes no carnaval de Olinda, tanto na forma de marchas, quanto na de bonecos e fantasias. Nos últimos anos, tornou-se bastante comum a presença de ícones como Osama Bin Laden, George Bush, Lula e outras figuras que são destaque no noticiário nacional e internacional. Os blocos carnavalescos da cidade concentram-se na esquina conhecida como “Quatro Cantos”, localizada entre as ruas Prudente de Moraes, do Amparo, Bernardo Vieira de Melo e Ladeira da Misericórdia.

Ao som de orquestras de frevo, maracatu, coco-de-roda, pau-e-corda, ciranda e caboclinho, Olinda se transforma em um grande baile a céu aberto, atraindo pierrôs, colombinas e bonecos gigantes para a festa.Datados das procissões do século XV, os bonecos gigantes são herança européia e, enquanto lá, acompanhavam os cortejos religiosos, aqui, enfeitam a maior festa pagã. A cada ano, são criados bonecos de novos tipos e, atualmente, totalizam mais de cem personagens pelas ladeiras da cidade. Na Terça-Feira Gorda, assim chamada por ser o último dia antes do início da Quaresma, os bonecos gigantes, com mais de 3 metros de altura, se reúnem entre os largos de Guadalupe e do Varadouro, encontro que atrai a atenção de milhares de foliões e acrescenta originalidade e animação à festa. São os personagens mais famosos do carnaval de Olinda e considerados uma marca da festa na cidade.

O boneco mais famoso de Olinda, o “Homem da Meia-Noite”, foi o primeiro a sair às ruas, em 1932. Comandou a festa sozinho até 1967, ano em que surgiu a “Mulher do Dia”, sua companheira, dando espaço para, em 1974, ser criado o “Menino da tarde”, completando a família. Atualmente, o “Homem da Meia-Noite” é o responsável por dar início ao carnaval olindense à zero hora do sábado de Zé Pereira, que passou a ser assim nomeado ainda no Brasil Colônia, quando grupos de portugueses, os “Zés Pereiras”, saíam às ruas tocando grandes tambores e anunciando o começo da festa.

A folia termina na quarta-feira, com o tradicional desfile do bloco “Bacalhau do Batata”, fundado em 1965. Sua origem é ligada ao garçom Isaías Ferreira da Silva, o Batata, que achava justo poder brincar o carnaval após quatro dias de trabalho. O bloco percorre as ruas de Olinda até a Praça da Prefeitura e, tradicionalmente, sempre reuniu profissionais que trabalharam durante os quatro dias do carnaval, como taxistas, faxineiros, policiais e motoristas de ônibus. Apesar de Isaías ter falecido no ano de 1993, sua idéia vingou e, atualmente, grande parte da classe média integra o bloco, que continua mantendo a mesma animação.

Carnaval: história e atualidade

Pesquisas Barsa © Editorial Barsa Planeta -

“Carnaval em Pernambuco Texto de Natália Boaventura e Isabella Verdolin

Do Blog Escritório de Histórias

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