Por todo o Brasil, nossos repórteres encontraram exemplos de como a vida dessa senhora forte se tornou uma inspiração.
Zilda Arns, irmã de dois padres e três freiras, escolheu a medicina para cuidar das crianças. E ela cuidou de muitas. A Pastoral da Criança é o maior projeto de solidariedade que o Brasil já viu.
Zilda foi exemplo, e ainda é, para um batalhão de voluntários. Ela mostrou aos brasileiros que faz bem fazer o bem.
Zilda Arns mostrou que pequenas ações bem organizadas podem ter um resultado expressivo. Por todo o Brasil, nossos repórteres encontraram exemplos de como a vida dessa senhora forte, mas cheia de delicadeza, se tornou uma inspiração.
Zilda Arns tinha claro que o segredo para salvar vidas era multiplicar a generosidade. Para isso, era preciso mobilizar pessoas no país inteiro. Ela conseguiu. Formou um exército de 250 mil voluntários espalhados pelo Brasil.
As voluntárias Nina Rosa Mendes Cordeiro e Constância são motivadas pela história de vida da médica. As duas visitam todo mês 26 idosos da Zona Norte de São Paulo. Cuidam da saúde e do coração das pessoas.
Nina está na Pastoral da Pessoa Idosa há três anos e conheceu a Doutora Zilda Arns em alguns cursos de capacitação: “Tenho a lembrança da alegria que ela transmitia, da esperança, da perseverança, do incentivo, comunicação, falar com as pessoas. Tudo aquilo que eu vi, eu quero imitar daqui para frente. Já procurava imitar, mas agora eu vou fazer cada vez melhor”.
O trabalho mais reconhecido é o da Pastoral da Criança, semente de todas as ações sociais que Zilda Arns promoveu. Rapidamente, o exemplo foi seguido não só nos grandes centros, como também em pequenas cidades.
Os repórteres do Bom Dia Brasil encontraram muitos voluntários que se doaram à causa de Zilda Arns, como em Sorocaba, no interior de São Paulo.
O trabalho da voluntária Celina Cláudia Menezes começou há onze anos com 35 crianças e adolescentes. De lá para cá, as dificuldades por causa da falta de estrutura, materiais escolares e até alimentos só aumentaram. Mas nada disso tirou dela a vontade de ajudar. Muito pelo contrário. Hoje o número de jovens que vem para cá aprender e brincar chega a 230.
“Ela ajudou a gente a se inspirar principalmente pelos feitos dela, tudo que ela fez para ajudar as pessoas e tudo que ela deixou ficou bem feito. Isso ajuda também a conseguir a batalhar como ela batalhou também para ter algo para a gente estar fazendo para ajudar o próximo”, comenta a voluntária.
Foi no Paraná onde tudo começou. A sede da Pastoral da Criança fica em Curitiba, cidade que a Doutora Zilda Arns escolheu para viver e para trabalhar. Quem veio aqui pela primeira vez foi Cândida Conceição da Silva, que é de Mato Grosso, líder comunitária lá e nunca tinha vindo aqui, não conheceu a doutora Zilda Arns.
“Só pelo nome e pelo trabalho dela. Eu acho um trabalho maravilhoso. Quem entra na Pastoral jamais vai sair. Ela deixou uma mensagem muito boa, uma mensagem de vida, uma mensagem muito gratificante. Já trabalhei também com os idosos, antes de ser desmembrada a Pastoral da Criança era junto. É muito bom trabalhar”, comenta a voluntária Cândida Conceição da Silva.
A cartilha de 27 anos de dedicação da médica ganhou a adesão dos mineiros. Os passos ensinados pela Doutora Zilda Arns são seguidos por Lúcia Jacomine há 11 anos, em Belo Horizonte. A professora aposentada se sente uma aluna da fundadora da Pastoral da Criança, orientando as famílias e ajudando as comunidades. Uma lição a cada dia como voluntária.
“Ela acreditava na vida. Onde estivesse uma vida em dificuldades ela queria que a gente estivesse lá. Essa professora que nós perdemos, o céu ganhou, os anjos do céu acolheram, nós vamos continuar, com muita fé, com muita força, na esperança de que façamos igual a ela”, diz, emocionada Lúcia Jacomine.
O apoio aos pobres e desnutridos, onde quer que eles estivessem, se tornou referência no Nordeste. Na Bahia, a Pastoral da Criança atende 15 mil gestantes e cerca de 200 mil crianças de até 6 anos de idade. Todos os meses, centenas de voluntários vão até as casas das pessoas, visitar as crianças e também as mulheres grávidas. Na periferia de Salvador, nove comunidades são atendidas.
A coordenadora da Pastoral da Criança na Bahia, Francisca Chagas, já faz esse trabalho há nove anos. “Visitamos a casa e, no dia seguinte, já pesamos, damos uma merenda e as crianças vão para casa. Foi um ensinamento deixado pela doutora Zilda Arns. O maior foi o amor porque a gente só faz esse trabalho se tiver amor. Se não tiver não faz”, completa Francisca.
A Pastoral da Criança conta com quase 300 mil voluntários Um trabalho que ajuda cerca de dois milhões de gestantes e crianças até seis anos.
Bom Dia Brasil











