
As atrizes do filme 'Zanan bedoone mardan', que fala sobre a repressão feminina no Irã, durante o lançamento do longa em Veneza. (Foto: Reuters)
Com ‘Il grande sogno’, diretor compartilha experiências de 1968.
‘Zanan bedoone mardan’ mostra repressão feminina no Teerã.
Dois sonhos distintos competiram nesta quarta-feira (9) no Festival Internacional de Cinema de Veneza: a versão italiana do sonho revolucionário de 1968 “Il grande sogno” (o grande sonho), e o de liberdade na Teerã da época do xá da Pérsia, “Zanan bedoone mardan” (mulher sem homem).
Enquanto o ator e diretor Michele Placido recria os protestos estudantis na Itália, apresentando um filme divertido e realista, a iraniana Shirin Neshat se utiliza de uma veia poética e de extrema beleza, mas não menos crítica, para contar a falta de liberdade das mulheres no final dos anos 50 no Irã.
“Zanan bedoone mardan” é ambientado em 1953 em um momento agitado da sociedade iraniana, quando ocorria a derrubada do então primeiro-ministro iraniano Mohammad Mossadegh, em um golpe de Estado planejado pela CIA.
silêncio para mostrar as dificuldades, como a privação de liberdade, a violência e a falta de oportunidades.
“O foco do filme é a questão da liberdade e da democracia, a luta das mulheres e do povo do Irã e, sobretudo, como as coisas não mudaram”, explicou Neshat, que faz sua estreia na direção. “Continuaremos lutando pelos ideais democráticos e não nos renderemos”.
Com a música de Ryuichi Sakamoto, que combinou habilmente os tradicionais ritmos persas, uma fotografia limpa e próxima da pintura e da utilização de primeiros planos que eliminam a necessidade de palavras, o filme traz uma clara mensagem ao povo do Irã.
O grande sonho
Frente a realidade social iraniana, Michele Placido (conhecido internacionalmente como protagonista da série de televisão “La Piovra”) compartilhou com o público sua vivência como revolucionário na Itália, em 1968, com “Il grande sogno”.
O diretor construiu o longa-metragem a partir de suas lembranças pessoais. Ele chegou a Roma em 1967 e durante dois anos atuou como policial, inclusive no período das revoltas estudantis.
“Contei minha história, a história de Michele Placido”, explicou o diretor, em entrevista coletiva, na qual demonstrou mal-estar com as perguntas de temas políticos.
“Não há conclusões políticas em meu filme. É uma espécie de diário íntimo. Quem quiser entender, ótimo, se não, para mim tanto faz”.
O eixo principal do filme é a conscientização de dois irmãos – Laura e Andrea – sobre as desigualdades sociais. Eles fazem parte de uma família convencional, estudam na universidade e, aos poucos, passam a imergir no movimento estudantil.
Laura (Jasmine Trinca) é a primeira a se comprometer com os revolucionários e vive um triangulo amoroso com o policial infiltrado Nicola (Riccardo Scamarcio) e um dos líderes do movimento, Libero (Luca Argentero).
A história mistura revolução, amor e família.
Com um estilo semelhante ao dos últimos sucessos do cinema italiano – como “La meglio gioventù” (2003) -, Placido apresentou um retrato fiel da juventude italiana. Uma época, explicou o diretor, na qual havia fantasia, energia e não violência.
“Os jovens jogavam ovos e tomates nos policiais, que reagiram de forma tão violenta que levaram os estudantes a mudar sua forma de agir”, disse.
Da EFE E G1











