Estudo exime a responsabilidade do pai ausente na sexualidade precoce de crianças; outros especialistas discordam do trabalho Foto: SXC

Estudo exime a responsabilidade do pai ausente na sexualidade precoce de crianças; outros especialistas discordam do trabalho Foto: SXC

Pais ausentes podem esperar, sempre, uma saraivada de tiros. Eles já foram acusados pela emancipação sexual dos filhos, mas agora pesquisadores sugerem que os genes, e não necessariamente a ausência paterna, podem ser o fator principal da manifestação da sexualidade precoce.

Vários estudos têm mostrado que, em famílias nas quais o pai biológico está ausente, crianças atingem maturidade sexual, têm sua primeira experiência com sexo e são mais propensas a se tornarem pais adolescentes.

Se não ter um pai por perto é um fator de estresse ou se o fato de uma mãe solteira não conseguir exercer a tarefa de vigilância no lugar de um casal são assuntos muito debatidos.

Jane Mendle, da Universidade de Oregon (EUA), e seus colegas suspeitam que os genes podem desempenhar um papel maior do que o já conhecido. A idade da maturidade sexual e da primeira experiência no assunto é transmitida por genes. Então, a equipe decidiu observar se os familiares de crianças cujos pais são ausentes demonstram tendências genéticas semelhantes.

Na família

Os dados examinados foram coletados em uma pesquisa na qual 1.382 nascidos eram geneticamente relacionados: gêmeos, irmãos ou primos. As mães foram entrevistadas no período compreendido entre 1979 e 1994, em um intervalo de dois em dois anos.

Os filhos também foram entrevistados, quando chegavam aos 14 anos. Dentre as questões propostas, os adolescentes foram questionados no que se refere à primeira relação sexual.

Os pesquisadores observaram que, quanto mais próximas geneticamente as crianças eram, igualmente próximas estavam também na idade da primeira relação sexual, independentemente dos pais ausentes. A genética, eles argumentam, tem mais influência no assunto do que a ausência paterna.

Mendle diz que é possível que os genes responsáveis pela propensão dos homens à ausência paterna também contribuem para a maturação sexual mas nem todos concordam.

Bruce Ellis, da Universidade do Arizona, disse que a pesquisa não leva em conta o ambiente de vivência –já que filhos de irmãs (primos) vivem em casas separadas–, tampouco os genes, uma vez que filhos de irmãs compartilham apenas 12,5% de similaridade genética. Jay Belsky, psicólogo da Universidade de Londres, disse que o trabalho não leva em consideração como os genes e o ambiente trabalham em conjunto.

Mendle concorda que as explicações genéticas e que o ambiente muitas vezes trabalham em conjunto –e acrescenta que os pais responsáveis pela transmissão de determinados traços genéticos também podem transmiti-los socialmente.

da New Scientist

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